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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Todas as atenções voltadas para o vazamento de petróleo do Golfo do México mas, e a Nigéria?

Todos assistimos horrorizados aos vazamentos de petróleo no Golfo do México que já dura 3 meses. A imagem de satélite abaixo mostra o petróleo que está sendo derramado no Golfo do México, depois da explosão, e afundamento, de uma plataforma petrolífera, ao largo da costa da Louisiana e do Mississipi, Estados Unidos, no dia 22 de Abril.
 
 A mancha de petróleo é visível na imagem de radar em preto e branco como uma mancha cinzento 
escura, embaixo à direita.[Imagem: ESA]
 Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=derramamento-petroleo-golfo-mexico-visto-espaco


 A imagem abaixo foi publicada dia 19/07/2010, praticamente três meses após o início do vazamento, no dia 20/04/2010.


Fonte:  http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/vazamento+de+petroleo+continua+no+golfo+do+mexico/n1237723025099.html

O Site Últino Segundo também publicou um infográfico mostrando a evolução do vazamento no Golfo do México.



Mas o que realmente me deixou horrorizada foi confirmar a notícia publicada pelo Estadão no dia 18/06/2010, cujo título é: Petróleo vaza há 50 anos na Nigéria. Segue o texto na íntegra abaixo:

Grandes vazamentos de petróleo não são novidade na Nigéria. O Delta do Níger, onde a riqueza em baixo da terra é desproporcional à pobreza na superfície, é submetido, há 50 anos, ao equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros, ocorrido no Alasca, em 1989) ao ano, segundo estimativas. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.

É provável que nenhum outro lugar da Terra tenha sido tão castigado pelo petróleo, e os habitantes estão impressionados com a atenção constante que é dada ao vazamento do Golfo do México. Há poucas semanas, um duto da Royal Dutch Shell que havia estourado nos mangues foi fechado após vazar por dois meses: agora, não há um ser vivo em um mundo preto e marrom outrora povoado por camarões e caranguejos.

Não muito longe dali, há petróleo no Riacho Gio, de um vazamento de abril. Em Akwa Ibom, o vazamento de um duto da Exxon Mobil durou semanas.

Os vazamentos são causados por dutos enferrujados, nunca fiscalizados em razão de regulamentação ineficiente ou criminosa e afetados por manutenção deficiente e sabotagens. Apesar da maré negra, os protestos não são frequentes - no mês passado, os soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação. "Não temos a imprensa internacional para cobrir o que acontece aqui, então ninguém se preocupa", lamenta Emman Mbong, de Eket.

As crianças nadam no estuário poluído, os pescadores levam seus barcos cada vez mais longe e as mulheres do mercado andam com esforço entre os riachos de petróleo. "O petróleo da Shell está no meu corpo", afirmou Hannah Baage.

O fato de o desastre do golfo paralisar um país e um presidente que tanto admiram é motivo de espanto para as pessoas daqui. "O presidente Obama está preocupado com aquele vazamento", comentou Claytus Kanyie, funcionário da prefeitura. "Ninguém está preocupado com este aqui." Ao longe, saía fumaça de um lugar onde, segundo Kanyie, funciona uma refinaria ilegal operada por ladrões de petróleo e protegida, ao que se fala, pelas forças de segurança nigerianas. Antes dos vazamentos, disse Kanyie, as mulheres de Bodo ganhavam a vida catando moluscos e mariscos nos pântanos.

Nada menos que 2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos ou cerca de 41 milhões ao ano, concluíram especialistas em relatório de 2006. Portanto, as pessoas daqui olham com compaixão a situação no golfo. "Sentimos muito por eles, mas é o que acontece aqui há 50 anos", disse Mbong.

Embora grande parte da área tenha sido destruída, restam muitos espaços imensos de verde. Os ambientalistas afirmam que, com um programa de recuperação intensiva, o delta poderia voltar a ser o que era.

A Nigéria produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo ao dia, no ano passado, e em mais de 50 anos milhares de quilômetros de dutos foram instalados nos pântanos. A Shell, principal empresa exploradora, opera em milhares de quilômetros quadrados, segundo a Anistia Internacional. Colunas envelhecidas de válvulas nos poços de petróleo se destacam entre palmeiras. Às vezes o petróleo jorra delas, mesmo que os poços estejam desativados.

Caroline Wittgen, porta-voz da Shell em Lagos, disse: "Não discutimos os vazamentos", mas argumentou que a "vasta maioria" é provocada por sabotagem ou roubo, e apenas 2% por falhas dos equipamentos ou erro humano. 
Esse é o retrato de um país de terceiro mundo, subdesenvolvido, do sul, ou, simplesmente pobre.Segue abaixo algumas imagens do New York Times:

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Manifestação contra a canalização do rio Itajaí-açu

Acabei de receber um e-mail sobre um documento do Instituto arquitetura do Brasil que fala da canalização do Rio Itajaí-açu no centro de Blumenau.


Para unirmos forças ao Instituto será feita uma manifestação pública contra a canalização do rio Itajaí-açu, no centro de Blumenau.
Local: Beira-Rio

Data: Nesta sexta feira (04/12), 11h30min h até as 12h30min
Com faixas, cartazes e pessoas, para criarmos um fato e tornar público nossa oposição a esta idéia, bem como alertar a população sobre o que pretendem fazer.


VEJAM MENSAGEM DO INSTITUTO DOS ARQUITETOS DO BRASIL
Tomamos conhecimento de um projeto contratado pela Prefeitura Municipal de Blumenau, para a margem esquerda do Rio Itajaí-Açu, no trecho compreendido entra a ponte da estrada de ferro e a prainha.

Este projeto, que tem o objetivo de evitar futuros deslizamentos, como os que ocorreram nas enchentes de 1984 e 2008, suprime toda a vegetação em avançado estágio de regeneração dessa margem, para nela repetir as decisões de engenharia executadas na Beira-rio, ou seja enrocamento, concretagem de parte considerável do talude, gramado e, no nível mais elevado, calçada e ciclovia com dimensionamento de 7 metros de largura. Pretende suprimir, assim, um formidável corredor ecológico no coração da cidade, de aproximadamente 4 hectares com espécies nativas e exóticas, no qual podem ser encontrados mais de 200 espécies de aves que o usam como passagem, abrigo e nidificação.

Apesar da grande impacto desta obra, até a presente data o projeto da PMB não foi publicado em qualquer órgão de imprensa local. Apenas a ele se fez menção em curtas mensagens, que não permitem à comunidade dele tomar merecido e necessário conhecimento.Tentamos junto a PMB, na qualidade de entidade ligada com as questões urbanas e ambientais e a prática democrática, buscar espaços para discussão do referido projeto, mas não obtivemos resultados.

Diante disto, e preocupados com o teor e as repercussões desta obra, resolvemos tornar público, tanto uma avaliação do projeto contratado pela PMB, como a elaboração de uma proposta alternativa feita por 15 técnicos especialistas em áreas relacionadas, que levaram em consideração a preservação ecológica, a contenção dos deslizamentos e a criação de um espaço de uso público para pedestres e ciclistas. Esta proposta alternativa ao projeto da PMB faz uso de técnicas contemporâneas de bioengenharia em um traçado que compatibiliza a proteção da vegetação ciliar existente e a criação de espaços de lazer e contemplação. Considera-se de maneira geral que o projeto da PMB representa um retrocesso nas formas e abordagens de margens de rio, e caminha na direção contrária as tendências mundias deste tipo de intervenção. Da forma como está o projeto, este poderá causar impactos não só na paisagem urbana e no ambiente natural como na própria dinâmica dos recursos hídricos, na medida em que esse padrão possa ser replicado para as demais cidades da bacia hidrográfica.

Solicitamos, para o bem de nossa cidade e do Vale do Itajaí, de nossos filhos e netos, que esta mensagem seja divulgada ao maior numero de pessoas, para tentar tornar este processo decisório o mais criterioso possível, com a devida participação de toda a comunidade.

Saudações.



Instituto de Arquitetos do Brasil

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Olá pessoas,

Esse Blog está tão parado ultimamente que daqui a pouco anda prá trás... Isso que dá querer trabalhar 60 horas semanais, não sobra tempo nem pra respirar direito, que dirá escrever!

Estava eu corrigindo os trabalhos de meus excelentíssimos alunos e me deparei com um texto muito bom (pelo menos eu achei!) de uma aluna minha do 1º ano do EM. Acho que vale a pena divulgar! Segue o texto abaixo:

Conscientização. Alguém já parou mesmo pra pensar o que significa isso? Eu aposto que dois terços das pessoas que falam sobre isso aqui não sabem nem o que significa. É extremamente cômodo criticar e esperar atitudes vindas de outras pessoas.


Me pergunto por que o Aquecimento Global ganhou tanta repercussão agora. Com certeza as mesmas pessoas que agora tem tanta facilidade em demonstrar repugnância a atos antiambientalistas, anos atrás, não sabiam nem que o mundo passava por esse problema. Então, por quê? Quer minha real opinião? Acho que parecer importado virou moda. Importar-se com a fome na África, com o preconceito, adotar crianças etíopes... o mundo sempre sofreu com isso. E por que agora?

Uma vez ouvi que a humanidade só consegue evoluir quando está no ápice do fim. E, sinceramente, ela É assim. As pessoas só vêem problema nas coisas quando isso pode a afetar de verdade. E aí se sente no direito de criticar. De criticar, protestar, reclamar atitudes alheias. E você? Tava vivendo em que mundo até agora? Tava esperando o quê pra se demonstrar importado então?

Então, não quero parecer radical, mas acho uma enorme hipocrisia tudo isso. Todo esse discurso de falsa conscientização, porque 'precisamos mudar', 'o mundo precisa de nós'... Não, o mundo não precisa de nós. Nós precisamos do mundo. E é por isso que todos nós nos importamos 'tanto'. Porque agora o problema chegou na casa de cada um. Afetados nós queremos mudanças. Mas enquanto isso não nos atinge, bom, cada um com os seus problemas, certo? Querendo ou não, somos todos um bando de hipócritas, egoístas, que só conseguem pensar em si próprios.

Não minta pra você mesmo, você sabe que é verdade.

Escrito por: Anna Caroline Zimermann de Souza

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Denúncia Ecológica

Pessoal, recebi esse link de um amigo e achei muito interessante divulgá-lo. Fala sobre o que pode acontecer no Vale do Rio Pinheiros, em Anitápolis, com a instalação de uma indústria de fosfatados.

Serve pelo menos para refletirmos a respeito do modelo de desenvolvimento econômico vigente.

Os mares estão chegando

Nível dos oceanos está subindo, preocupando vários países.

Uma parte dos cientistas acha que os oceanos estão subindo rápido demais. Eles prevêem um futuro cheio de inundações catastróficas. Outros duvidam que o perigo seja tão grande. Por via das dúvidas, países como a Holanda já começam a se preparar.

Cenários para um mundo molhado

Com a habitual dose de exagero empregada no cinema catástrofe, Hollywod inventou uma paisagem apocalíptica para retratar a subida dos mares. No filme Waterworld (1995), com Kevin Costner no papel de galã, as últimas tribos humanas vagueiam de barco num planeta inundado pelo derretimento dos pólos. O ano seria 2045. Costner representa um mutante que desenvolveu guelras para se adaptar ao ambiente marinho e o último continente seco transformou-se num sonho nunca alcançado, uma Atlântida ao contrário. Tudo muito impactante, só que cientificamente incorreto porque o volume de gelo existente nas calotas polares não é suficiente para afogar a Terra. Em algo, porém, o roteiro acertou: a geografia terrestre realmente não ficará a mesma se o calor continuar aumentando.

Na pior das hipóteses, cogitadas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), até o ano 2100 os oceanos vão crescer quase 1 metro. Aí seria um Deus-nos-acuda. Segundo o Worldwatch Institute, um centro de pesquisa ambiental com sede em Washington, países como Bangladesh, que tem uma parte significativa do seu pequeno território localizada na foz do Rio Ganges, ficariam parcialmente cobertos pela água. Capitais asiáticas como Bangcoc, na Tailândia, sofreriam graves enchentes. Tesouros da Antiguidade, como Alexandria, no Egito, seriam devastados. E, nos Estados Unidos, o dilúvio cobriria 160 000 quilômetros quadrados de costa, alagando cidades como Nova York, Nova Orleans e Miami.

Ondas imprecisas

Ocorre que ninguém sabe, com precisão, o quanto o mar vai subir. Ele vem crescendo há 20 000 anos, desde o fim da última era glacial. Estima-se que, de lá para cá, já tenha ganho uns 120 metros. Se tudo continuasse nesse ritmo, não haveria grandes transtornos, porque os ciclos naturais são lentos o suficiente para permitir soluções adaptativas. O problema é que, segundo climatologistas como Bruce Douglas, da Universidade de Maryland e do IPCC, o efeito estufa está acelerando o ritmo de elevação marítima. O manto de poluição, ao impedir a dispersão do calor terrestre, esquenta os oceanos. Como a água se dilata quando é aquecida, e os mares estão aprisionados numa espécie de panela formada pelos continentes, não resta saída a não ser para cima.

O IPCC, criado pela ONU em 1988 para acompanhar o aquecimento global, desenhou em 1996 vários cenários alternativos para o próximo século, levando em conta o efeito estufa. No mais pessimista dos panoramas, o mar ganharia 90 centímetros e as consequências seriam aquelas que lembram, ainda que de maneira remota, o desastre hollywoodiano estrelado por Costner. Em outra hipótese, os oceanos ficariam 50 centímetros mais altos. Nesse caso, cerca de 46 milhões de terráqueos que habitam áreas inundáveis nas costas do planeta seriam afetados, as quase 300 ilhas do Caribe e do Pacífico correriam perigo e a prefeitura de Nova York precisaria gastar 30 milhões de dólares para levantar os 46 quilômetros de muro que protegem a Ilha de Manhattan.

Na Holanda, cujo nome oficial, não por acaso, é Reino dos Países Baixos, o Ministério de Obras Públicas já trabalha pensando nesse cenário. Os técnicos holandeses concluíram que elevar os seus diques para barrar mais 60 centímetros de água custa o equivalente ao que o país gasta para manter as suas ciclovias. "Quem vai sofrer mesmo", diz John de Ronde, diretor de Obras do ministério, "são os países pobres e insulares". Ou seja, não foi por paranóia que 36 micropaíses como as Ilhas Maldivas, Ilhas Virgens e Samoa Ocidental formaram a Aliança dos Pequenos Estados Insulares, para cobrar providências contra o aquecimento do planeta. "Podemos ser poucos", declarou em novembro passado Nerodi Slade, embaixador de Samoa Ocidental na ONU e presidente da Aliança, "mas estamos tratando da preservação de culturas, línguas e Estados soberanos."

Aviso dramático

Holandeses são obrigados a deixar sua cidade em 1° de fevereiro de 1953. Naquela madrugada, quando todo mundo dormia, o mar ultrapassou os diques, invadiu 64 quilômetros de terra e deixou inundados 200 000 hectares. Um sexto do país ficou debaixo d'água. O saldo foi devastador, com 2 000 mortos e 100 000 desabrigados

Fortificação antimaré

A plácida vila de Westkapelle, na Holanda, está 2 metros sob o nível do mar, como boa parte do país. Por isso, é defendida por quilômetros de diques que barram as marés. A subida dos oceanos é um risco que os holandeses não podem se dar ao luxo de ignorar

A ameaça que vem do pólo

Em janeiro de 1995 uma imensa placa de 5 000 quilômetros quadrados de gelo começou a se despegar da Antártida, na maior ruptura já observada pelo homem no continente branco. Menos de um mês depois, o bloco rompeu definitivamente as amarras e saiu navegando por aí. Foi como se meia Jamaica tivesse se partido em incontáveis icebergs e fosse derretendo lentamente mar afora. A turma do Greenpeace, a mais ativa organização ambientalista do planeta, botou a boca no trombone. Eles vêm advertindo há tempos para o risco de que grandes degelos na Antártida causem um aumento do nível do mar. O descolamento daquela massa monumental parecia confirmar os seus piores pressentimentos.

Mas não há certeza sobre o que provocou a rachadura na Plataforma de Larsen, local de onde partiu a jangada de gelo, nem se ela vai se repetir. As plataformas são braços de gelo, com até 1 quilômetro de espessura, que se estendem do manto continental, assentado sobre rochas. De acordo com Rudolpho del Valle, diretor de Geologia do Instituto Antártico Argentino, não há dúvida de que o desastre foi provocado pelo efeito estufa. Del Valle não está só. Estudos meteorológicos mostram que o aquecimento do planeta está sendo bem maior nos pólos do que no equador. Para o Worldwatch Institute, a temperatura da Antártida aumentou, nos últimos cinqüenta anos, duas vezes mais do que no resto do planeta. Isso explicaria também o resultado de pesquisas como as do glaciologista Bill de la Mare, da Divisão Antártica Australiana. De la Mare comparou os registros dos navios baleeiros que navegaram entre os arquipélagos da Antártida entre os verões de 1931 e 1987 e constatou a perda de 25% do gelo marinho da região.

Gelo no copo

Por incrível que pareça, mesmo que a descoberta do glaciologista australiano seja confirmada, a dissolução de gelo marinho não influi diretamente na altura dos oceanos. Imagine um monte de gelo num copo com whisky. Quando o gelo se dissolve, o whisky pode ficar péssimo, mas o copo não entorna, porque a água não aumenta de volume ao passar do estado sólido ao líquido. O trabalho de De la Mare, na verdade, é importante porque evidencia que o calor sobre a Antártida está aumentando, o que poderia causar o desabamento da neve de 4 quilômetros de espessura que fica sobre as rochas do manto continental. Aí, sim, as conseqüências seriam graves.

O glaciologista Jefferson Cardia Simões, do Laboratório de Pesquisas Antárticas e Glaciológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reforça a preocupação dos ambientalistas. Ele diz que na Ilha Shetland do Sul, vizinha à Antártida, a temperatura média subiu 2,5 graus Celsius nos últimos quarenta anos. É uma enormidade. "Não sabemos, no entanto", disse ele à SUPER, "se a causa é a ação do homem sobre o clima ou se é algum fenômeno localizado." Simões é dos que sustentam, assim como o IPCC, que até aqui não há sinais objetivos de que a Antártida esteja começando a se liquefazer. Para ele, outras regiões da Terra, como os arquipélagos árticos, é que estão jogando mais água na panela. Também geleiras montanhosas como os Andes, na América do Sul, e o Himalaia, na Índia, estão perdendo neve e, com isso, engrossando os rios que acabam chegando aos mares.

A verdade é que, entre o sobressalto do Greenpeace e a serenidade do IPCC, não se pode prever o que vai acontecer com a Antártida. "Qualquer um que diga a você que sabe o que está acontecendo está sendo desonesto", disse a geóloga Ellen Mosley-Thompson, da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, à revista Scientific American. A controvérsia é tão grande que, em 2002, a Nasa vai colocar em órbita um satélite especialmente programado para medir alterações nas calotas polares com precisão e, finalmente, dirimir as dúvidas que afogam os especialistas e ameaçam inundar todos nós.

Febre gera discussão acalorada

A subida do mar funciona como um termômetro. Quando o calor aumenta, a água se dilata e os oceanos sobem, exatamente o que acontece com o mercúrio dentro do tubo de vidro. A julgar pelas medidas do satélite Topex-Poseidon, da Nasa, a Terra está com febre, já que o mar subiu de 5 a 10 milímetros de 1993 para cá. Uns sustentam que é uma febrinha de nada, quem sabe um sintoma natural, como aquela elevação de alguns graus que todo mundo tem no final da tarde. Outros acham que a temperatura alta está se estendendo por muito tempo e pode esconder uma infecção mortal. Em todo caso, milhares de pesquisadores andam pelo mundo afora tentando saber o que está por trás da renitente febrícula terrestre.

Os cientistas ainda não têm um diagnóstico. Mas eles já têm hipóteses sobre o aquecimento de 0,3 a 0,6 grau Celsius dos últimos 100 anos. O IPCC identifica os gases derivados da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão, sobretudo) como os grandes inimigos do organismo planetário. O dióxido de carbono (CO2) e, com menos importância, o metano e o óxido nitroso estariam bloqueando a dissipação do calor: é o efeito estufa.

Causas naturais

Em campo oposto estão os que atribuem a quentura à própria natureza. Os climatologistas Frederick Seitz, da Universidade Rockefeller, e William Nieremberg, do Instituto de Oceanografia Scripps, ambos nos Estados Unidos, sustentam que o aquecimento global decorre de variações da atividade solar. Afirmam que o período de 1880 a 1940, quando houve a maior parte do aumento de 0,3 a 0,6 grau Celsius na temperatura da Terra, coincide com uma fase de aceleração do trabalho do astro-rei. E esse também foi um período, acrescentam, em que a humanidade queimou relativamente poucos combustíveis fósseis, entre outras coisas porque a explosão do automóvel ainda não havia ocorrido.

Outro que dá menos importância ao bloqueio dos gases poluentes é o meteorologista Luiz Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas. Para ele, o grosso do esquentamento do planeta deve-se exatamente ao fenômeno oposto: uma maior transparência atmosférica. De acordo com Molion, entre 1915 e 1955 teria ocorrido uma diminuição da atividade dos vulcões, ocasionando uma redução da fuligem e dos gases que essas chaminés interiores mandam para o ar. Com isso, os raios do sol estariam chegando à superfície do planeta com mais facilidade.

Existe até quem afirme que o termômetro está quebrado. A subida do mar seria apenas o resultado da acomodação das placas tectônicas, sem conexão com o calor. Essa é a hipótese do geofísico William Peltier, da Universidade de Toronto, no Canadá. Isso explicaria por que o mar está descendo 4 milímetros por ano em Estocolmo e subindo 1,5 milímetro no Havaí. Ou por que, na Venezuela, o mar está crescendo na costa norte e, ao mesmo tempo, diminuindo na costa oeste.

Que turbulências no fundo do mar afetem o que está em cima dele, parece uma idéia aceitável. Já saber se elas explicam a subida dos mares é outra história. "Os movimentos tectônicos são muito lentos para a escala humana. Eles se fazem sentir em milhões de anos, não em séculos", explicou à SUPER Johan Varekamp, ecólogo da Universidade Wesleyan, nos Estados Unidos. Quer dizer: o termômetro provavelmente está funcionando e as elevações marítimas precisam ser levadas a sério. Mesmo os pesquisadores menos alarmistas, como Molion, acham que não dá para descuidar. "Não se deve", diz ele, "abandonar o empenho de fazer do planeta um lugar mais seguro e mais habitável." Por enquanto só temos este.

Para saber mais

Polar Meltdown: The Changing Climate in Antartica, Greenpeace, Amsterdan, 1997.

The State of the Climate, a Time for Action, WWF, Amsterdan, 1997.

Na Internet:

Climate Change Update: Sumary of IPCC Report, 1996. http://www.ncdc.noaa.gov/


Texto retirado de: http://super.abril.com.br/superarquivo/1998/conteudo_116480.shtml
Revista Super Interessante
Jan. 1998